meu avô quer voar.
por isso seu corpo está tão leve,
por isso tão pouca carne.
meu avô precisa alcançar o céu
e planar, de braços abertos,
sobre tudo.
por isso o ar daqui é pouco,
por isso tentam lhe dar mais oxigênio.
por isso poupa o fôlego,
e fica tanto tempo mudo.
meu avô quer ficar livre.
eu sei.
seus cabelos branquinhos contaram aos meus dedos.
e olhando pra ele a gente vê
folha de outono que resiste até o fim do inverno.
meu avô precisa de sopro.
precisa de sonho.
precisa de asas.
e todas essas coisas não posso lhe dar.
mas ainda assim, asas eu tento improvisar,
costurando-as dia e noite
com as penas de meu amor.
por isso seu corpo está tão leve,
por isso tão pouca carne.
meu avô precisa alcançar o céu
e planar, de braços abertos,
sobre tudo.
por isso o ar daqui é pouco,
por isso tentam lhe dar mais oxigênio.
por isso poupa o fôlego,
e fica tanto tempo mudo.
meu avô quer ficar livre.
eu sei.
seus cabelos branquinhos contaram aos meus dedos.
e olhando pra ele a gente vê
folha de outono que resiste até o fim do inverno.
meu avô precisa de sopro.
precisa de sonho.
precisa de asas.
e todas essas coisas não posso lhe dar.
mas ainda assim, asas eu tento improvisar,
costurando-as dia e noite
com as penas de meu amor.

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