segunda-feira, janeiro 13, 2003

*** (depois do último post, recebi uma pequena carta. talvez ela não tivesse a intenção de ser uma resposta ou a solução para minha vontade de observar sem ser notada na vida que passa. mas o que acontece é que a carta não passou. e é para agradecer esse afago de palavras - muito mais que um afago, essa é a verdade - senti que é necessário colocar suas palavras ao lado das minhas. para tomarem seus lugares, e depois se confundirem, como palavras que se aninham.)

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olhe, olhe, simone. mas olhe, viu? olhe mesmo. olhada de um olhar tão olhado que nenhum observador há de olhar. o objeto olhado - que não é objeto, é coisa - vai só faltar desmanchar-se de tantos olhares. cada olhada vai arrancar uma visão, um ângulo, uma interpretação, enfim, um exato momento da tal coisa. a coisa que não é objeto. a coisa que vive. e a toda vida corresponde sensação. a coisa que não é objeto já não é mais uma coisa a se olhar. é um sentimento. e eu não olho o que eu sinto, tu olhas? olhe mais não, simone. sinta, sinta até a última pontinha da alma. tudo o que tiver pra sentir. e cada sentida vai equivaler a uma maneira de olhar. o olhar que não é das coisas, aquele que é dos sentimentos, a gente chama de sentir.

beijo pra tu.
júlia.
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