terça-feira, setembro 17, 2002

é como estar grávida.
grave de dor
que cresce.

fecundada de amor que dorme,
de vida que desaparece
quando procuro o que ainda vem.

é como ir deitar sem saber
quando se vai acordar,
e só despertar quando a casa está vazia.

mas ninguém deixou recado na porta,
e a data no jornal que está no chão é de um futuro
que não vivi.

e não há como recuperar as flores que eu não vi,
os caminhos pelos quais não viajei com os braços abertos
e o vento lambendo minha cara.

estive grávida de dor,
hibernei,
e a vida não me esperou.