***goma arábica***
***capítulo primeiro***
borboletas voavam perto de sua cama. sentia fome. seria um dia a mais, como qualquer outro. fechou a janela do quarto e dele saiu, fechando lentamente a porta. então dirigiu-se à cozinha, pegou um pão adormecido e o detefon. voltou ao quarto, aproximou-se das borboletas e nelas borrifou o veneno.
o genocídio que acabara de cometer o fazia se sentir melhor, e o pão adormecido ajudava a matar a fome. não tinha nada em casa, absolutamente nada. era o tipo de pessoa que esperava a feira acabar por inteiro, para poder, então, fazer as compras. na noite passada tinha jantado dois chocolates com pão e um copo de água. não era nada que ele pudesse chamar de banquete, mas a segunda-feira estava por chegar, e com ela, o dia de fazer feira.
a pasta de dentes já tinha acabado também. havia aberto seu tubinho com uma faca, e lambido tudo. há duas semanas tomava banho com sabão bem-te-vi. o restinho do sabonete foi usado para fazer as vezes da pasta dental. não tinha um gosto lá muito bom, isso é verdade, mas, ele tinha que, de alguma forma, utilizar aquele restinho, afinal, seria um desperdício deixar aquela pequena bolinha de banha perfumada sem alguma utilidade.
ganhava muito pouco e fedia muito. ele mesmo lavava suas roupas, uma vez por mês. alternava as roupas até não se ter mais combinações a fazer, por isso, se um mês não se completasse nesse período, ele voltava a repetir as roupas. o importante mesmo era economizar. se num dia ele usava meia e blusa azuis, com a calça e os sapatos pretos, no outro dia, lá estava ele: de meia preta, blusa azul e calça e sapatos pretos.
mas o pão estava realmente duro. caiu em si: era desumano comer um pão daquele jeito. voltou para cozinha e molhou o pão no restinho de água que tinha colocado na garrafa de refrigerante. agora sim: pão molinho e tragável.
cedo. sempre acordava muito cedo. e só para ter o prazer de ficar mais tempo em casa. deitava-se no chão da sala para escutar bandeira 2, enquanto contava quantas novas goteiras apareceram no teto. era realmente muito divertido isso. certa vez, chegou ao trabalho atrasado de tanto contar goteiras, e, infelizmente, tinha esquecido o número da contagem anterior, tendo, por isso, que recontar tudo novamente. mas hoje seria diferente. ele não ficaria até a hora do trabalho a contar goteiras, e ele só saberia disso quando se levantasse para ir ao banheiro urinar, e olhasse, despretensiosamente, pela janela: daí pra frente, não haveria mais dias iguais. nada mais seria igual, até a água-sanitária mudaria de nome.
***continua.
***capítulo primeiro***
borboletas voavam perto de sua cama. sentia fome. seria um dia a mais, como qualquer outro. fechou a janela do quarto e dele saiu, fechando lentamente a porta. então dirigiu-se à cozinha, pegou um pão adormecido e o detefon. voltou ao quarto, aproximou-se das borboletas e nelas borrifou o veneno.
o genocídio que acabara de cometer o fazia se sentir melhor, e o pão adormecido ajudava a matar a fome. não tinha nada em casa, absolutamente nada. era o tipo de pessoa que esperava a feira acabar por inteiro, para poder, então, fazer as compras. na noite passada tinha jantado dois chocolates com pão e um copo de água. não era nada que ele pudesse chamar de banquete, mas a segunda-feira estava por chegar, e com ela, o dia de fazer feira.
a pasta de dentes já tinha acabado também. havia aberto seu tubinho com uma faca, e lambido tudo. há duas semanas tomava banho com sabão bem-te-vi. o restinho do sabonete foi usado para fazer as vezes da pasta dental. não tinha um gosto lá muito bom, isso é verdade, mas, ele tinha que, de alguma forma, utilizar aquele restinho, afinal, seria um desperdício deixar aquela pequena bolinha de banha perfumada sem alguma utilidade.
ganhava muito pouco e fedia muito. ele mesmo lavava suas roupas, uma vez por mês. alternava as roupas até não se ter mais combinações a fazer, por isso, se um mês não se completasse nesse período, ele voltava a repetir as roupas. o importante mesmo era economizar. se num dia ele usava meia e blusa azuis, com a calça e os sapatos pretos, no outro dia, lá estava ele: de meia preta, blusa azul e calça e sapatos pretos.
mas o pão estava realmente duro. caiu em si: era desumano comer um pão daquele jeito. voltou para cozinha e molhou o pão no restinho de água que tinha colocado na garrafa de refrigerante. agora sim: pão molinho e tragável.
cedo. sempre acordava muito cedo. e só para ter o prazer de ficar mais tempo em casa. deitava-se no chão da sala para escutar bandeira 2, enquanto contava quantas novas goteiras apareceram no teto. era realmente muito divertido isso. certa vez, chegou ao trabalho atrasado de tanto contar goteiras, e, infelizmente, tinha esquecido o número da contagem anterior, tendo, por isso, que recontar tudo novamente. mas hoje seria diferente. ele não ficaria até a hora do trabalho a contar goteiras, e ele só saberia disso quando se levantasse para ir ao banheiro urinar, e olhasse, despretensiosamente, pela janela: daí pra frente, não haveria mais dias iguais. nada mais seria igual, até a água-sanitária mudaria de nome.
***continua.

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