quinta-feira, julho 04, 2002

já faz tempo que escrevi esse poema. e se ele está aqui é porque minha república federativa continua assim. e sem eleições ou golpes de estado que quebrem a atual vigência.

***
era promessa.
nunca mais construir uma linha,
nunca mais erguer poemas

toda minha dor transformada em cidades
com arranha-céus de profunda tristeza.

prédios falantes,
entregando minha agonia aos transeuntes.

e eu, arquiteta de meus próprios sonhos mortos,
carregava as pedras para minhas pirâmides de faraós léxicos.

...

mas promessas são como vidro:
quebram-se.
e se minha dor é um país,
sepulcro de letras que em mim não cabe,
prefiro espalhar as covas
do que ser cemitério vivo.
***